'Messidependência': um fenômeno que cresce com o tempo
Se os números de Lionel Messi são imunes à passagem do tempo, a dependência que suas equipes têm do craque argentino continua crescendo, atingindo uma nova dimensão nesta Copa do Mundo.
Aos 39 anos, Messi teve de atuar como nenhuma outra estrela do torneio para levar a Argentina às quartas de final, fase em que a equipe enfrentará a Suíça, no próximo sábado (11).
- Recorde de gols -
Em seu sexto Mundial, Messi compete no mesmo nível dos melhores atacantes desta geração, como Kylian Mbappé e Erling Haaland.
Com oito gols nos primeiros cinco jogos, o argentino é um forte candidato à Chuteira de Ouro da competição, um dos poucos prêmios que não tem em sua coleção.
Esse desempenho já supera sua melhor marca em Copas do Mundo, que foram os sete gols que pavimentaram caminho da 'Albiceleste' ao título em 2022, no Catar.
O capitão marcou 57% dos 14 gols marcados pela seleção argentina, da qual nenhum outro jogador balançou a rede mais de uma vez.
O peso dos gols de Messi supera o do Catar (47%) e especialmente o dos dois títulos de Copa América nesta década.
Na edição de 2021 no Brasil, ele marcou quatro dos 12 gols da Argentina (33%); e na edição de 2024, nos Estados Unidos, marcou apenas um de um total de nove (11%).
Fora da seleção, onde tudo gira em torno de Messi, sua influência também tem crescido, como se pode observar em suas duas primeiras temporadas completas no Inter Miami.
Em 2024, Messi fez 20 gols em 19 jogos da temporada regular da MLS, o que representa 25% do total de 79 gols da equipe da Flórida.
E em 2025, foram 29 gols em 28 jogos, 36% dos 81 gols da franquia co-propriedade de David Beckham.
Nesta última temporada, Messi conquistou a Chuteira de Ouro e o prêmio de MVP (Jogador Mais Valioso) da MLS e levou o Inter Miami ao primeiro título da liga em sua história.
- Mais finalizações do que todos juntos -
A dependência que Argentina tem em relação a seu líder não se reflete apenas nos placares.
O técnico Lionel Scaloni tem à sua disposição dois dos atacantes mais renomados do futebol europeu, Julián Álvarez e Lautaro Martínez, além de meio-campistas ofensivos como Enzo Fernández e Alexis Mac Allister, ambos com valor de mercado superior a US$ 80 milhões (R$ 410 milhões na cotação atual).
Mesmo com todo esse arsenal, Messi deu 18 chutes a gol, um número superior aos 16 de todos os seus companheiros de equipe juntos.
A média de gols esperados de Messi (5,65) também é a mais alta da Copa do Mundo, à frente de Haaland (4,54).
- "Como o vinho" -
Tendo conquistado a glória no Catar, Messi não se via disputando mais um Mundial, mas não deixou de se preparar fisicamente e de adaptar seu jogo à velocidade e eficiência do futebol atual.
Muito antes de se aproximar dos 40 anos, ele começou a cuidar ainda mais da sua alimentação e a fortalecer a musculatura.
Em campo, ele tenta controlar o ritmo, mas devido à falta de descanso por conta dos desafios enfrentados pela Argentina, ele é o quarto jogador da equipe em distância percorrida, com um total de 36 km.
Em todo caso, só isso não seria suficiente sem seu talento extraordinário e sede de competição.
"É como o vinho, o tempo o aprimora. Incrível", resumiu o ex-jogador da seleção e agora comentarista de televisão Marcelo Gallardo.
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© Agence France-Presse
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