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Trump ordena redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul poucas horas antes do início

Published on أغسطس 17, 2026 at 15:23

O líder norte-coreano Kim Jong Un e o presidente americano Donald Trump durante encontro na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, em 30 de junho de 2019 — Brendan Smialowski / AFP
O líder norte-coreano Kim Jong Un e o presidente americano Donald Trump durante encontro na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, em 30 de junho de 2019 — Brendan Smialowski / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul poucas horas antes de seu início nesta segunda-feira (17), por considerar que as manobras enviam um sinal "inadequado e hostil" diante de sua boa relação com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

Os exercícios denominados Escudo de Liberdade Ulchi "estão acontecendo segundo o planejado", indicou o Ministério da Defesa sul-coreano em um breve comunicado.

Trump criticou no domingo em sua plataforma Truth Social os exercícios por serem não apenas caros, mas também por enviarem "um sinal totalmente inadequado e hostil" à Coreia do Norte, país que, segundo ele, tem se mostrado respeitoso e "não ameaçador" desde seu retorno ao poder, em 2025.

Também criticou diretamente a Coreia do Sul. "Recentemente, perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles disseram: 'Não, obrigado!'", afirmou em sua publicação.

"Recentemente perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se unir a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles disseram: 'Não, obrigado!'", apontou em sua publicação.

As manobras militares têm duração prevista de 11 dias e são parte do treinamento conjunto para preparar a defesa contra a Coreia do Norte.

Trump publicou no sábado na Truth Social uma foto ao lado de Kim Jong Un durante um encontro ocorrido em 2019, durante seu primeiro mandato, e afirmou que, considerando sua boa relação com Kim Jong Un, não está satisfeito com o fato de os Estados Unidos terem concordado em participar de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

Ele acrescentou que já era muito tarde para cancelar os exercícios e, por isso, ordenou ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que os "reduzisse substancialmente".

O coronel Ryan Donald, porta-voz do Comando das Forças Combinadas Americanas e Sul-Coreanas, comentou que as manobras simularão combates contra soldados norte-coreanos, fortalecidos por sua participação na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

O gabinete presidencial sul-coreano afirmou em um comunicado que espera que a boa relação de Trump com o líder norte-coreano permita que os países retomem o diálogo.

"O governo acompanha de perto a mensagem publicada hoje pelo presidente Trump nas redes sociais e espera que a relação amistosa entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte resulte em um diálogo significativo", afirmou.

A redução das manobras "prejudicará a coordenação da aliança, vai atrasar o processo para que a Coreia do Sul assuma mais responsabilidades por sua própria defesa e vai enfraquecer a dissuasão de possíveis conflitos na Ásia", comentou à AFP Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Feminina Ewha, em Seul.

Pyongyang denunciou na quinta-feira os exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul e advertiu para uma possível resposta com medidas de "dissuasão" mais contundentes.

A Coreia do Norte considera os exercícios um ensaio para uma invasão. Em protesto, o país lançou na quarta-feira um míssil balístico sobre o Mar do Japão.

O governo dos Estados Unidos mantém quase 28.500 militares na Coreia do Sul para reforçar a defesa do país diante das ameaças militares de Pyongyang.

As duas Coreias encerraram a Guerra da Coreia (1950-1953) com um armistício, e não com um tratado de paz.

As repetidas críticas de Trump a aliados históricos, no entanto, provocaram dúvidas sobre os compromissos dos Estados Unidos com a segurança no leste da Ásia.

Questionado se Pequim apoia um novo diálogo entre Estados Unidos e Coreia do Norte, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "tomou nota das informações relevantes".

"Manter a paz e a estabilidade na península da Coreia e promover a solução política da questão peninsular é de interesse comum para todas as partes", declarou o porta-voz do ministério, Lin Jian.

Em Taiwan, que depende em grande medida de um acordo de segurança de longa data com os Estados Unidos, o presidente Lai Ching-te afirmou que seu governo deve propor um gasto recorde em defesa equivalente a mais de 35 bilhões de dólares (182 bilhões de reais) para 2027.

A China afirma que Taiwan faz parte de seu território e já ameaçou utilizar a força para anexar a ilha autônoma.

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