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Espanha lança ultimato à Itália para que levante controles fronteiriços

Published on أغسطس 7, 2026 at 21:13

Um agente auxilia um migrante menor de idade que espera do lado de fora da sede da Polícia Nacional na cidade espanhola de Ceuta, em 7 de agosto de 2026 — Antonio Sempere / AFP
Um agente auxilia um migrante menor de idade que espera do lado de fora da sede da Polícia Nacional na cidade espanhola de Ceuta, em 7 de agosto de 2026 — Antonio Sempere / AFP

O governo espanhol ameaçou a Itália, nesta sexta-feira (7), com "medidas proporcionais" caso não retire os controles de fronteira adotados após o início da crise migratória em Ceuta na semana passada, um aviso ignorado por Roma.

A Itália fechou temporariamente para a Espanha o espaço Schengen, a zona de livre circulação da UE, há uma semana, após a chegada de mais de 70.000 migrantes ao enclave espanhol de Ceuta vindos do vizinho Marrocos.

O episódio provocou críticas de outros países da União Europeia cujos governos, ao contrário do Executivo espanhol de Pedro Sánchez, promovem políticas rígidas em relação à imigração.

A Itália liderou essa frente e anunciou a suspensão temporária por um mês do espaço de livre circulação com seu parceiro europeu, o que resultou em controles de passageiros que chegam de barco ou avião vindos da Espanha.

O governo espanhol criticou essa decisão nesta sexta-feira por considerá-la "injusta, contrária aos interesses da UE e discriminatória para a população espanhola".

O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, descreveu a medida como "um torpedo na linha de flutuação da unidade europeia".

"Instamos o governo da Itália a que corrija, ponha fim aos controles e trate os espanhóis como o restante dos cidadãos europeus", afirmou o Executivo em comunicado.

"Se isso não acontecer antes do fim do domingo, 9 de agosto, a Espanha se verá obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos", advertiu.

As imagens impactantes dos migrantes chegando à cidade autônoma deram a volta ao mundo e provocaram fortes tensões na União Europeia.

Cerca de 72.000 pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias de julho, a grande maioria a nado ou a pé, embora cerca de 70.000 já tenham regressado ao Marrocos, segundo os últimos números oficiais da Espanha.

Os que permanecem nesse enclave no norte da África, entre eles centenas de menores desacompanhados, dispõem de pouco acesso a comida, água ou abrigo.

As autoridades espanholas contabilizaram em 80 os mortos pelo ocorrido. Do lado marroquino, o Ministério do Interior informou 11 mortos.

No entanto, um grupo de ONGs marroquinas afirmou nesta sexta-feira que o número de vítimas era de pelo menos 141 mortos e que provavelmente iria aumentar.

O governo italiano justificou a suspensão da livre circulação - uma das maiores conquistas da União Europeia - como uma "decisão necessária para proteger a segurança" de seus cidadãos "e defender as fronteiras da Europa".

Após o ultimato de Madri, o governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni respondeu que não tem intenção de "rever a decisão" antes de 15 de agosto.

Segundo a imprensa espanhola, a polícia monitora rumores que circulam na internet e mensagens nas redes sociais sobre uma possível nova chegada em massa de migrantes nessa data. As autoridades não se pronunciaram explicitamente sobre o assunto.

"A Itália não aceita ultimatos nem imposições externas em matéria de segurança nacional e controle de fronteiras", afirmou o gabinete de Meloni em um comunicado.

"Somente quando houver certeza de que não há riscos à segurança ou de terrorismo para a Itália, de que não está ocorrendo uma nova onda migratória e de que não há migrantes em situação irregular se dirigindo ao território europeu, reconsideraremos a decisão", acrescentou.

A Itália não faz fronteira terrestre com a Espanha, mas introduziu controles nos pontos de entrada marítimos e aéreos para cidadãos de países de fora da União Europeia que chegam do território espanhol.

O governo Meloni tem tentado conter a chegada das dezenas de milhares de migrantes que desembarcam todos os anos em pequenas embarcações na costa da península.

Em seu ultimato, o governo espanhol pediu à Itália que evitasse "criar divisões e conflitos estéreis motivados por interesses eleitorais" e manifestou confiança de que "o espírito europeu, o bom senso e a boa-fé prevalecerão".

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