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Uefa e Concacaf mantêm pressão sobre Infantino, apesar da retirada de plano de investimento privado

Published on أغسطس 1, 2026 at 20:00

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante reunião na Casa Branca sobre a Copa do Mundo de 2026, em novembro do ano passado — Brendan SMIALOWSKI / AFP
O presidente da Fifa, Gianni Infantino (E), com o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin (D), durante o 50º Congresso Ordinário da confederação europeia — Pau BARRENA / AFP
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante reunião na Casa Branca sobre a Copa do Mundo de 2026, em novembro do ano passado — Brendan SMIALOWSKI / AFP

Uefa e Concacaf fizeram, neste sábado (1º), duras críticas ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao considerarem que o dirigente ítalo-suíço perdeu sua confiança, apesar da retirada de seu polêmico plano de abrir as competições internacionais a investidores privados.

As confederações que dirigem o futebol da Europa e da América do Norte, Central e Caribe, continuam a pressionar Infantino.

O dirigente enfrenta uma crescente oposição a menos de um ano para o fim de seu mandato e antes das eleições de março de 2027, para as quais é atualmente o único candidato.

Diante das inúmeras críticas de várias partes, Infantino anunciou na noite de sexta-feira, em comunicado, a retirada de seu projeto destinado a criar uma sociedade, a Fifa Forward Enterprise (FFE), aberta a investidores privados e encarregada de gerir as atividades comerciais de eventos da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

"Depois de ter escutado atentamente a todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões (...) que já não respondem ao interesse do objetivo inicial", reconheceu Infantino, enfraquecido diante da oposição de várias federações e após a renúncia de seu principal assessor, Carlos Cordeiro.

Esta proposta, revelada na última terça-feira para a surpresa geral, foi massivamente rejeitada em nível mundial, sobretudo pela Uefa, que ameaçou não participar das competições da Fifa, inclusive a Copa do Mundo, se o projeto fosse adiante.

Um dos maiores questionamentos ao plano de Infantino era a existência de supostos conflitos de interesse, já que a lista de potenciais investidores incluía o Thrive Eternal, um fundo criado por Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump é muito próximo do presidente da Fifa, que saiu enfraquecido diante da oposição de várias federações e da renúncia de seu principal assessor, Carlos Cordeiro.

Em comunicado divulgado neste sábado, a Uefa, que representa 55 federações europeias, descreve o abandono desse projeto como uma "vitória para o futebol como um todo", mas ressalta que isso não deve "marcar o fim da história".

"A proposta foi rejeitada. A tarefa de restaurar a confiança na Fifa está apenas começando", ressalta a nota.

A Uefa, dirigida pelo esloveno Aleksander Ceferin, critica diretamente Infantino, afirmando que, antes de sua eleição em 2016, o dirigente havia defendido a transparência e garantido que o dinheiro da Fifa pertencia às associações-membro.

"Ele não cumpriu essas duas promessas", acusa a Uefa. "O projeto raquítico, opaco e arquitetado nos bastidores que tentou impor à força era tudo, menos transparente".

Segundo a confederação europeia, o abandono deste projeto deve levar à criação de "um novo método de distribuição de recursos por meio do já existente programa Fifa Forward", utilizando uma parcela das reservas financeiras da entidade, estimadas em US$ 5 bilhões (R$ 25,3 bilhões na cotação atual).

"Devemos começar a usar parte do dinheiro parado na conta bancária da Fifa para dar o incentivo necessário ao futebol de base e ao esporte como um todo em cada um dos 211 países-membros da entidade. Mas não precisamos vender as joias da família para financiar isso", escreveu a Uefa.

As federações de futebol da Inglaterra (FA) e da Alemanha (DFB), Dois membros altamente influentes da UEFA, também criticaram duramente a Fifa.

Infantino "agiu de maneira unilateral, sem transparência e, em última instância, de forma irresponsável", afirmou o presidente da DFB, Bernd Neuendorf.

A FA considerou que "é hora de fazer uma análise profunda e rigorosa da direção e da governança da Fifa para garantir que o futebol mundial seja gerido de forma transparente".

Após as reações da Europa, veio a da Concacaf, confederação que sediou a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

"Uma proposta desta magnitude não chega a essa etapa por acidente. É o reflexo de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar (...) Chegou o momento de fazer uma revisão integral desta liderança", escreveu a entidade em comunicado, sem mencionar diretamente o nome do presidente de Infantino.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também comemorou a retirada do projeto, defendendo o "diálogo coletivo e o respeito às estruturas de governança" do esporte.

As confederações da África e da Oceania adotaram uma postura menos crítica, pedindo às suas associações-membro que "examinassem" e "avaliassem" o projeto, enquanto a Conmebol, da América do Sul, pediu "informações adicionais e esclarecimentos".

Se o projeto tivesse avançado, cada uma das associações-membro da Fifa poderia ter recebido um pagamento único de US$ 20 milhões (R$ 101,5 milhões) no início de 2027 e ter sua verba destinada para o período 2027–2030 aumentada de US$ 8 milhões (R$ 40,6 milhões) para US$ 20 milhões.

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