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Keiko Fujimori, herdeira de um sobrenome que divide os peruanos

Published on يوليو 28, 2026 at 18:20

A então candidata à Presidência do Peru pelo partido Força Popular, Keiko Fujimori, fala com jornalistas na entrada de sua casa, em Lima, em 11 de junho de 2026 — Ernesto Benavides / AFP
A então candidata à Presidência do Peru pelo partido Força Popular, Keiko Fujimori, fala com jornalistas na entrada de sua casa, em Lima, em 11 de junho de 2026 — Ernesto Benavides / AFP

Criada nos corredores do poder e figura central da política do Peru há duas décadas, Keiko Fujimori assume a Presidência do país nesta terça-feira (28), depois de três fracassos eleitorais consecutivos desde 2011. 

Seu sobrenome ainda divide profundamente os peruanos. Aos 51 anos, Fujimori torna-se a segunda mulher a presidir o Peru depois de Dina Boluarte, que chegou ao poder na qualidade de vice-presidente do destituído Pedro Castillo em 2022, para finalmente ter o mesmo destino: afastada pelo Congresso.

A nova presidente afirma que recebe um país em condição "catastrófica", após vencer o esquerdista Roberto Sánchez por uma estreita margem: 50,13% contra 49,86% dos votos. A diferença foi de menos de 50.000 votos, segundo os dados oficiais.

"Keiko", como é conhecida, assume a Presidência ainda sob a vasta sombra de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o país na década de 1990 com mão firme e deixou um legado ambivalente.

Ela é bastante conhecida em um país que já teve oito presidentes desde 2016. Seu sobrenome "é uma 'marca' bem posicionada, gostem ou não", afirma o cientista político Jorge Aragón.

Formada em administração nos Estados Unidos, Keiko tornou-se uma profissional da política. Foi parlamentar e chefe de seu partido, Força Popular. Em entrevista recente, ela se descreveu como uma filha "metódica" de "dois engenheiros", que cresceu em meio a câmeras e escoltas desde os 15 anos.

Após o divórcio dos pais, tornou-se, aos 19 anos, a primeira-dama do governo Fujimori e conviveu com chefes de Estado e outros líderes internacionais.

Alberto Fujimori governou em tempos conturbados. Ele derrotou os insurgentes do grupo maoista Sendero Luminoso e os guevaristas do MRTA, controlou a hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e crimes contra a humanidade.

Por décadas, Keiko se aferrou ao sobrenome do pai. "Sinto saudades dele", disse em entrevista à AFP em abril. "Mas aonde quer que eu vá, as pessoas me lembram dele e me contam histórias", acrescentou.

No entanto, sua figura também gera uma profunda rejeição que lhe fechou as portas do palácio presidencial nas eleições que perdeu. Milhões de peruanos se recusam a votar em qualquer membro desse clã de origem japonesa.

"Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos anti-fujimoristas", que "se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos", sustenta Keiko.

Seus críticos lhe atribuem grande parte da instabilidade política do Peru, dada a forte influência que seu partido tem no poderoso Congresso, habilidoso em tecer alianças políticas.

Esta foi a primeira eleição que ela disputou sem seu pai, falecido em 2024. E, diante da onda de criminalidade que assola o país, principal preocupação dos peruanos, ela apostou no legado sob a palavra "ordem".

Keiko assegurou, durante a campanha, que os peruanos queriam um Fujimori.

"Aqui estou", dizia. "Com a força que meu pai teve para derrotar o Sendero Luminoso e o MRTA, vamos acabar com os criminosos", prometeu.

A filha do ex-presidente prometeu mobilizar militares em uma "guerra" contra as quadrilhas dedicadas à extorsão e expulsar migrantes que cometerem crimes.

"Serei eu quem assumirá a liderança para combater os criminosos", afirmou recentemente.

Em seu círculo íntimo, ela é definida como alguém "perseverante, tenaz, disciplinada".

"Cada golpe que recebeu na vida não a quebrou, a fortaleceu ainda mais do que qualquer um poderia imaginar", disse à AFP Miguel Torres, que será seu segundo vice-presidente.

Ela passou mais de um ano em prisão preventiva, investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da empreiteira brasileira Odebrecht.

Vista como uma política belicosa, vem tentando suavizar sua imagem e se mostrar conciliadora.

"Na minha carreira política cometi erros, aprendi com eles; mas me levantei ainda com muito mais força", disse recentemente.

Ela é mãe de duas adolescentes, de 18 e 16 anos, e é divorciada de um americano. Seu nome em japonês significa "filha abençoada" ou "afortunada" e é conhecida popularmente como "la china” (a chinesa), apelido que recebeu na escola.

Será que Keiko será mais lembrada que seu pai? "Tenho o sarrafo alto e espero superá-lo", disse em entrevista à AFP em abril.

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