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'Vingança' por Khamenei é 'inevitável', diz líder supremo do Irã

Published on يوليو 11, 2026 at 15:53

Navios no Golfo de Omã, nas imediações da costa de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em 19 de junho de 2026
Navios no Golfo de Omã, nas imediações da costa de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em 19 de junho de 2026
'Vingança' por Khamenei é 'inevitável', diz líder supremo do Irã

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, jurou vingar a morte de seu pai, Ali Khamenei, assassinado no fim de fevereiro nos ataques de Israel e dos Estados Unidos, após os bombardeios mútuos desta semana, apesar da assinatura de um memorando de acordo.

O texto do aiatolá tem data de sexta-feira (10) e é a primeira declaração de Khamenei desde o funeral de seu pai, que aconteceu na última semana.

Na mensagem, Mojtaba Khamenei promete vingar "o sangue puro" do ex-dirigente, assim como o de "todos os mártires" das "duas guerras" que colocaram a República Islâmica em confronto com Israel e Estados Unidos.

"Esta vingança é a vontade de nossa nação e deve ser cumprida, inevitavelmente", afirmou.

Também destacou em tom acusatório os "assassinos criminosos e desonrosos" e afirmou que os nomes dos responsáveis "estão em uma lista".

Na noite de sexta-feira, o presidente americano Donald Trump acusou Teerã de querer assassiná-lo e prometeu mais uma vez aniquilar o Irã se isso acontecesse.

"1.000 mísseis estão prontos para serem lançados e apontam para a República Islâmica do Irã (...) caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, proclamada em muitos cantos do globo, de assassinar, ou tentar assassinar, o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

"As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos Estados Unidos estão preparadas, dispostas e aptas, por um período de um ano, que pode ser prorrogado, a dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã", acrescentou.

 

- Sanções -

Irã e Estados Unidos retomaram os ataques na terça e na quarta-feira, com bombardeios no Oriente Médio que foram os maiores desde a assinatura, em 17 de junho, de um memorando de entendimento que ratificava o cessar-fogo alcançado em abril.

As forças militares dos Estados Unidos bombardearam o Irã por duas noites consecutivas depois que atribuíram a Teerã a responsabilidade pelos ataques contra três navios comerciais em Ormuz.

Em represália, o Irã atacou países vizinhos do Golfo: Kuwait, onde ao menos uma pessoa ficou ferida, Bahrein e Catar, um dos mediadores nas negociações para tentar solucionar o conflito, que começou com os ataques de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro.

Washington também restabeleceu as sanções econômicas contra o petróleo iraniano que haviam sido suspensas pelo protocolo de 17 de junho, uma "violação" do cessar-fogo, denunciou Araghchi neste sábado.

Embora as forças dos Estados Unidos tenham afirmado que atacaram apenas alvos militares, a República Islâmica acusou Washington de atingir infraestruturas civis para impedir a presença dos fiéis nas cerimônias fúnebres de Ali Khamenei.

 

- Diplomacia -

A calma, no entanto, retornou desde a noite de quinta-feira e uma delegação do Catar chegou na sexta-feira ao Irã para uma rodada de conversações, segundo a imprensa local.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que também tem o papel de mediador, afirmou no X que fez um apelo ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para que preserve uma paz "duramente conquistada".

O principal negociador iraniano nas negociações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a guerra "nunca terminaria com uma rendição do Irã".

Trump voltou a afirmar na sexta-feira que este cessar-fogo "acabou", mas disse que aceitava continuar dialogando com Teerã.

A República Islâmica considera que cumpriu os compromissos assumidos em 17 de junho. Araghchi afirmou neste sábado que seu país "cumpriu sua palavra".

"Nenhuma negociação acontecerá até que a parte americana revise suas posições", declarou à agência de notícias Fars uma fonte próxima aos negociadores iranianos.

A mesma fonte disse que o principal é solucionar "a questão do trânsito pelo Estreito (de Ormuz) de acordo com as modalidades desejadas pelo Irã".

O chanceler iraniano deve abordar a questão, que está no centro da disputa entre Irã e Estados Unidos, com seu homólogo de Omã, Badr al Busaidi, neste sábado em Mascate.

O Irã havia bloqueado o estreito, situado em águas do país e de Omã, e por onde transitava um quinto do comércio mundial de petróleo e gás antes da guerra, em resposta à ofensiva israelense-americana.

Agora o país autoriza apenas um único corredor de navegação, ao longo de suas costas, e descarta a possibilidade de retorno à situação anterior ao conflito – quando a passagem era gratuita –, embora o direito marítimo estabeleça uma liberdade de navegação "sem obstáculos".

Segundo os sites americanos Axios e Politico, Washington informou Teerã que tem prazo até sábado para assumir o compromisso público de não atacar mais navios no Estreito de Ormuz.

 

burx-cgo/hme/cr/avl/jvb/mmy/fp

© Agence France-Presse

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