Trump reforça que cessar-fogo 'terminou', mas aceita negociar com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (10) que aceitou continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que considera que o cessar-fogo em vigor desde abril "terminou" devido aos ataques mútuos desta semana.
Simultaneamente, uma delegação do Catar, país que atua como mediador no conflito, chegou a Teerã nesta sexta para algumas reuniões, informou um meio de comunicação local iraniano.
Irã e Estados Unidos retomaram os ataques na terça-feira, com bombardeios mútuos no Oriente Médio, os mais significativos desde que assinaram, em 17 de junho, um memorando de acordo que ratificava o cessar-fogo alcançado em abril.
"O Irã nos pediu que continuássemos as 'conversas'. Nós aceitamos fazer isso, mas os Estados Unidos informaram, sem margem para dúvidas, que o cessar-fogo TERMINOU", afirmou Trump em sua plataforma Truth Social.
O mandatário já havia declarado o fim da trégua na quarta-feira, quando chamou os dirigentes iranianos de "malucos", afirmando que "é uma perda de tempo lidar com eles". Ainda assim, deixou a porta aberta para que sua equipe continuasse negociando.
Os Estados Unidos bombardearam o Irã duas noites seguidas após terem acusado o país de ser responsável pelos ataques contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma via marítima essencial para o fornecimento de hidrocarbonetos que se tornou um elemento-chave no conflito.
Em resposta, as forças iranianas atacaram vários países do Golfo: Kuwait, onde uma pessoa ficou ferida; Bahrein e Catar.
Uma escalada das tensões que coincidiu com as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam a guerra.
- "Linguagem da diplomacia" -
Embora o Irã tenha lançado ataques contra ativos americanos no Catar e Doha tenha acusado Teerã de atacar um de seus petroleiros em Ormuz, o governo catariano apoiou a continuidade da via diplomática.
A agência iraniana Tasnim afirmou que a delegação do Catar estava em Teerã para "tentar reforçar o papel do Catar como mediador após os acontecimentos de terça-feira", quando Doha condenou Teerã pelo que qualificou como "agressão inaceitável" contra um de seus navios. O Irã negou a acusação.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que também vem mediando o conflito, manteve nesta sexta-feira uma ligação com o emir do Catar para tratar da recente escalada, indicou seu gabinete em comunicado.
O Egito, que apoia os esforços para encerrar o conflito, também está atuando nos bastidores. Seu ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, se reuniu com o primeiro-ministro e chanceler do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, um encontro no qual ambos "instaram todas as partes a priorizar a linguagem da diplomacia (...) e a voltar à mesa de negociações", informou um comunicado do Cairo.
No entanto, o principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, adotou um tom desafiador.
"Pôr fim à guerra é uma prioridade para os países do mundo, mas todos devem saber que este confronto nunca terminará com a rendição do Irã", declarou, segundo a agência de notícias Isna.
Os iranianos estão "plenamente preparados para nos defender", acrescentou.
- Milhões de pessoas no funeral de Khamenei -
Anteriormente, o chefe do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, havia advertido que seu país responderia a "qualquer ataque" contra suas infraestruturas e não descartou mirar em Israel neste caso.
Washington afirma que atacou alvos militares, mas a República Islâmica acusou os americanos de terem atingido, também, infraestruturas civis para impedir que seus cidadãos comparecessem às cerimônias fúnebres de Khamenei.
As exéquias do ex-líder supremo, que permaneceu no poder por quase quatro décadas, levaram milhões de pessoas às ruas em todo o país e no vizinho Iraque, até que ele foi sepultado na manhã desta sexta-feira na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irã, sua cidade natal.
Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde que assumiu o cargo em março, também não foi visto durante as cerimônias.
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© Agence France-Presse
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