Novo apagão generalizado atinge Cuba em meio a bloqueio petrolífero dos EUA
Cuba sofreu nesta segunda-feira (6) mais um apagão generalizado, o terceiro nos últimos seis meses e o oitavo desde o fim de 2024, em meio a uma crise energética agravada pelo bloqueio ao petróleo imposto pelos Estados Unidos.
O envelhecimento do sistema elétrico, somado ao bloqueio americano ao petróleo desde janeiro, faz com que os cubanos enfrentem apagões diários de até 30 horas na capital e de vários dias no interior da ilha.
A estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou, por meio da rede social X, que "as causas" da "desconexão total" do sistema elétrico, que afeta toda a ilha de 9,6 milhões de habitantes, estão sendo investigadas.
"No fim das contas, estávamos tendo apenas três ou quatro horas de eletricidade por dia, então o maior impacto agora é que você não sabe quando voltará a ter esse pouquinho de energia", declarou à AFP Meybol Font, trabalhadora autônoma de 51 anos.
"É angustiante viver assim", acrescentou.
A produção de eletricidade no país depende principalmente de sete usinas termelétricas obsoletas, algumas das quais operam há mais de 40 anos e sofrem falhas frequentes ou precisam ser paralisadas para manutenção, além de uma rede de geradores de emergência abastecidos com diesel importado.
A usina termelétrica Antonio Guiteras, localizada no oeste da ilha e a principal do país, está paralisada há vários dias devido a uma falha. Desde o início do ano, essa usina já registrou mais de 15 paralisações consecutivas provocadas por defeitos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, informou nas redes sociais que a UNE trabalhava para restabelecer o fornecimento de energia elétrica e classificou o bloqueio energético imposto à ilha como "genocida".
"Enquanto os Estados Unidos tentam provocar uma explosão social por asfixia, bloqueando o acesso de combustível a Cuba, a UNE se mobiliza para reverter a queda do Sistema Elétrico Nacional (SEN). É heroico o que os trabalhadores do setor elétrico fazem em meio a um bloqueio energético genocida", escreveu Díaz-Canel na rede social X.
- "Não conseguimos trabalhar" -
Cuba atravessa uma grave crise econômica marcada pela escassez de alimentos e medicamentos e pela inflação elevada.
Os apagões se intensificaram desde que o governo de Donald Trump interrompeu os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora da ilha, e ameaçou impor sanções a outros países que comercializem combustível com Havana.
Um programador de 24 anos que trabalha para uma empresa privada de desenvolvimento de software em Havana Velha retornava para casa frustrado.
"Não há wi-fi, não há eletricidade, não conseguimos trabalhar", afirmou à AFP o jovem, que preferiu não se identificar.
Desde janeiro, Trump aprovou uma série de sanções contra entidades e dirigentes cubanos e autorizou apenas um navio petroleiro russo a atracar na ilha, transportando 100 mil toneladas de petróleo.
O presidente americano considera Cuba, localizada a cerca de 150 quilômetros da Flórida, uma "ameaça extraordinária" à segurança nacional dos Estados Unidos e já ameaçou diversas vezes assumir o controle da ilha.
Sob pressão econômica, Havana adotou em meados de junho um pacote de medidas inéditas favoráveis à economia de mercado, representando uma mudança significativa para o modelo adotado desde a implantação do comunismo há quase 70 anos.
- Debate na ONU -
Cuba solicitou para terça-feira uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU para discutir as sanções americanas.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou nesta segunda-feira que Washington tenta impedir que a Assembleia se pronuncie sobre o impacto do bloqueio petrolífero e de outras sanções impostas à ilha.
Para que o debate seja aberto, é necessária uma votação dos países-membros.
"O governo dos EUA tenta impedir que a Assembleia Geral da ONU se pronuncie. Pressiona governos e busca coagir a vontade soberana dos Estados-membros", escreveu Rodríguez no X.
A iniciativa se soma à discussão anual que a Assembleia Geral realiza há 34 anos sobre o embargo americano contra Cuba.
Em 2025, a resolução favorável ao fim do embargo recebeu 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, o menor apoio registrado em uma década.
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© Agence France-Presse
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