Jornal

Seca causada pelo El Niño assola a América Central

Published on سبتمبر 16, 2026 at 15:24

Homem ordenha uma vaca na localidade de Los Piches, em San Lorenzo, departamento de Valle, Honduras, em 4 de setembro de 2026 — Orlando SIERRA / AFP
Plantações de milho seco na vila de Los Piches, em San Lorenzo, Honduras, em 4 de setembro de 2026 — Orlando SIERRA / AFP
Homem ordenha uma vaca na localidade de Los Piches, em San Lorenzo, departamento de Valle, Honduras, em 4 de setembro de 2026 — Orlando SIERRA / AFP

O árido Corredor Seco da América Central sofre os impactos da pior seca da qual a população se recorda, devido ao fenômeno El Niño: os alimentos se tornam escassos e os camponeses se apressam em vender o gado antes que ele morra.

"Às vezes eu começo a chorar. Às vezes a gente come, às vezes não", conta Lidia Ochoa em San Lorenzo, no sul de Honduras.

A região faz parte do corredor seco, que também abrange áreas de Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica. Nesta faixa, vivem mais de 10 milhões de pessoas e 80% dos pequenos produtores são pobres, segundo a ONU.

Acostumada a eventos climáticos extremos, a população está perplexa com a severidade do fenômeno que ameaça se intensificar a níveis históricos. "Nunca tínhamos visto algo assim", diz Ochoa, de 76 anos.

Nesta época do ano, o terreno de seu conterrâneo, o agricultor e pecuarista Francisco Molina, deveria estar coberta de milho. Mas é um campo árido cercado de ossadas de gado, onde o calor sufoca.

A cena se repete em El Salvador. "É o primeiro ano em que vimos esta escassez e esta necessidade de água", conta María de la Paz Portillo, de 31 anos, administradora de um reservatório cada vez mais seco que abastece a comunidade de El Matazano (nordeste). Na região, o termômetro já chegou ao recorde de 42°C.

O El Niño, uma variação natural do clima que ocorre a cada dois a sete anos, eleva as temperaturas superficiais no centro e leste do Pacífico equatorial, o que gera mudanças globais nos ventos e nas chuvas, além de condições meteorológicas instáveis.

Diante da perda de cultivos geralmente destinados ao consumo próprio, alguns camponeses estão reduzindo as refeições ou são obrigados a comprar aquilo que normalmente produzem.

Embora os governos tenham declarado estado de emergência, sua ajuda parece insuficiente e várias comunidades dependem do apoio de ONGs.

"Todas as colheitas de milho serão perdidas", afirma a líder indígena Elvira Pasá, de uma aldeia remota do município de Cunén, no norte da Guatemala, país com sérios problemas de desnutrição infantil que se agravam com a seca.

A escassez de água também impactou a população de El Matazano, que deixou de criar tilápias para consumo e reserva a água para usos prioritários.

No Panamá, o canal interoceânico, que funciona com água doce, já foi obrigado a reduzir o trânsito de navios.

A falta de água também deixou o gado sem alimento, fazendo com que alguns produtores de San Lorenzo sejam obrigados a vendê-lo a preços muito baixos antes que morra. Centenas de vacas morreram nesta aldeia hondurenha nos últimos meses.

Desde que a seca se intensificou em junho, Darwin Cruz teve de vender duas de suas vacas leiteiras e outra morreu. Restam-lhe três, que produzem um quarto do habitual. Caso não chova, ele corre o risco de também vendê-las para conseguir alimentar sua família.

Segundo os meteorologistas, o El Niño atingirá seu auge no fim do ano, e pode deixar 16 milhões de pessoas na América Latina sem alimento suficiente, afirmou à AFP Lena Savelli, diretora regional do Programa Mundial de Alimentos da ONU. Especialistas estimam que as repercussões do fenômeno continuarão ao longo de 2027.

Latest stories

اقتصاد ممر تؤمّنه واشنطن يعزز تدفق النفط عبر مضيق هرمز (تحليل لفرانس برس)

ساهم إنشاء ممر بحري تؤمّنه الولايات المتحدة في مضيق هرمز في زيادة تدفقات النفط عبر هذا الممر المائي الاستراتيجي بصورة كبيرة، لكن حجم الشحنات لا يزال عند نحو نصف مستواه قبل الحرب، وفق...

16 سبتمبر 2026 — منذ 33 minutes